Multinacional já trabalha com empresas de cá na certificação para a sustentabilidade

Multinacional já trabalha com empresas de cá na certificação para a sustentabilidade
September 27, 2012 Arton Kabashi

“Pensar global, agir local” é, simplificando, o conceito que esteve na base da criação da empresa Green Global Certification (GGC) após a Cimeira do Rio de Janeiro, em 1992, que estabeleceu um dos principais paradigmas da sustentabilidade, neste caso centrada no sector da hotelaria e similares. Actualmente já com duas empresas madeirenses em processo de certificação – Quinta do Furão e FN Hotelaria -, há uma forte aposta na conquista do mercado regional, sobretudo porque esta empresa multinacional gravita à volta de atitudes como a gestão sustentável, a economia social, a herança cultural e o ambiente.

Um dos prospectores de mercado da GGC, o seu director de comunicações Bradley Cox, está na Madeira, acompanhado por um reconhecido gestor hoteleiro na Região, Daniel Frey, que através da sua empresa Green Growth – The Way To Go, parceiro preferencial e auditor para a Península Ibérica.

Em declarações ao DIÁRIO, Bradley Cox salientou que “nos inícios dos anos 1990, o Conselho Mundial do Turismo decidiu que, tal como outras indústrias, o turismo tinha de contribuir para o ambiente”, período que “marcou uma importante viragem, em que os governos e as indústrias decidiram, em conjunto e a nível global, combater os principais problemas ambientais”, realçou.

Vinte anos depois destes conceitos se alastrarem por todo o mundo, com a implementação de medidas nunca antes vistas, Bradley Cox reconhece que muito há a fazer, sobretudo nos Estados Unidos da América que, no geral, embora com um historial de protecção e preservação ambiental, tem uma indústria renitente a aceitar e aplicar esse rumo inevitável do futuro. Pelo contrário, a Alemanha fez o caminho inverso e é, globalmente a todos os níveis da sociedade, o exemplo a seguir.

Ao nível do turismo é nas Caraíbas que se encontra o maior número de empresas do ramo certificadas pelas normas internacionais e com o ‘selo’ da GGC. A Madeira, com uma história que ultrapassa as suas fronteiras, muito por ‘culpa’ do seu vinho, tem muito a trabalhar nesse aspecto, reforça. “O nosso desafio tem sido criar padrões que podem ser aplicadas desde a pequena economia de escala, seja num negócio seja num destino turístico, numa região como a Madeira ou num país como Portugal”.

“Só com o trabalho conjunto entre todos”, diz, “é possível criar melhores resultados para o ambiente”. “A diferença entre pré-1992 e os dias de hoje é que temos uma empresa certificadora, o que significa que quando atribuímos um selo de qualidade a um hotel ou resort, ou campo de golfe ou restaurante, estamos a afirmar que esta tem uma gestão sustentável com base em critérios rigorosos certificados e comprovados anualmente com recurso a entidades independentes”.

A GGC tem um conjunto de 340 acções que “qualquer um pode fazer”, esclarece o australiano Bradley Cox, “caso contrário se um pequeno negócio não o consegue fazer como um grande negócio, estas acções não são globais, muito menos com impacto local”, conclui. Para obter uma certificação, em média é preciso cumprir 160 (51%) das acções e, com o tempo, devem atingir a totalidade das 340 acções com um crescimento de 3% dos indicadores.

Por seu turno, o suíço Daniel Frey, conhecedor do mercado regional, salienta que este é um mercado com grande potencial de crescimento aos níveis de exigência da Green Globe Certification. “As duas empresas com quem estamos a trabalhar estão totalmente comprometidas com os objectivos a que se propuseram, e estão a cumprir acima dos 51% das acções”.

Dois exemplos
Hoje, pelas 10h30, será apresentado o projecto da Green Globe Certification, acção a decorrer na Quinta do Furão, unidade de turismo que está em fase adiantada de certificação pelas normas ISO implementadas pela multinacional.

Segundo nota da Quinta do Furão, esta “sempre se pautou de forma obsessiva por seguir uma linha de gestão totalmente sustentável” e que se revela a três níveis: o económico, “com toda a gestão orientada para o lucro, não o lucro fácil, mas um lucro responsável”; o social, tendo que “a relação criada entre todos os ‘stake-holders’ deverá ser saudável e harmoniosa, é tida uma especial atenção com a comunidade local, a economia de proximidade é um desígnio fundamental. Os colaboradores internos são olhados como o maior e melhor património da empresa e a peça fundamental e o motor desta iniciativa”; e ambiental, tendo em conta “a localização privilegiada desta unidade hoteleira que obriga a que a preservação ambiental seja mais que uma vontade, seja mesmo uma obrigatoriedade do negócio”.